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A Partilha do Afeto não é "justa"

e nem precisa ser

É uma lista sem fim nesse “placar do amor” que provavelmente estará enviesado pelo nosso ciúme e inseguranças, onde tenderemos a computar somente o que não estamos recebendo, ou o que a outra pessoa está recebendo.

Jessica Fern (autora do livro ‘Polysecure) chama esses incômodos de Justice jealousy ou seja, um ciúme específico e 'justificável', que é engatilhado pela injustiça sofrida naquela relação.

NÃO VAI SER JUSTO!

(ao menos não da maneira que entendemos o significado de justiça)

A forma como damos e recebemos afeto será muito particular e dependerá de cada contexto, de cada pessoa, e de cada relação. E novamente repito: não dá pra comparar! Para vivenciar a não monogamia de forma mais leve, será necessário sair dessa lógica de competição e comparação e de computar o afeto dado e o afeto recebido.

Afeto é dado quando se quer dar. Afeto forçado não faz sentido.

É claro que você pode pedir afeto. Mas o outro deve ter o direito de não querer dar o que você quer. E o outro pode querer dar o que você pediu pra outra pessoa e não pra você, e você precisa aprender a lidar com isso sem deixar de se amar. Sem julgar o não do outro como o seu não merecimento.

Mas eu também tenho uma boa notícia, quando você está pronta para receber o não sem se desmerecer por isso, você perde o medo de pedir, e as chances de receber um sim aumentam. Por isso, não é muito melhor você se fortalecer do que simplesmente nunca pedir o que quer porque não consegue lidar com a rejeição??

Pois bem, a notícia boa é que vale a pena pedir, porque muitas pessoas vão querer muito dar o que você quer (repete isso pra si mesma pfv), mas elas talvez não não sabiam que queriam, ou não tiveram coragem de dizer, e de repente rola um match, todo mundo quer e a troca acontece espontaneamente e consensualmente. Então não deixe de pedir, com gentileza, com respeito, com humildade para aceitar um não (da mesma forma que você espera que aceitem de boas o seu não).

Porque acredito que essa seja uma forma saudável de pararmos de competir e comparar o afeto. Precisamos focar no afeto que é importante pra nós, e não no afeto que os outros estão trocando, seja em forma de presentes, viagens, atividades, cartas de amor etc.

Entretanto, entender o que é importante pra nós e ir em busca disso, É TRABALHO! É trabalho emocional, de autoconhecimento, de autopercepção, de questionamentos, de insights, de humildade, de exploração da nossa identidade, da nossa sexualidade etc etc.

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Conscientização sobre a Não Monogamia Ética organizando conteúdo e espaços de reflexão e conexão entre as pessoas que se identificam com o tema.

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